Joaquim Meirim

A personagem que merece destaque este mês por nossa parte é o falecido Joaquim Meirim treinador de futebol nos anos 70. Se podemos afirmar que António Paula Brito é o pai da psicologia em Portugal Joaquim Meirim é um génio que desceu a terra pois numa altura em que não se falava de psicologia nem das áreas da psicologia no desporto Meirim ja utilizava a psicologia para tirar melhor rendimento dos seus atletas.

 

Para ficarmos a conhecer melhor este treinador ficou não só conhecido pelas célebres tácticas à Meirim mas também pelo seu trabalho psicológico junto dos jogadores. Certa vez, por exemplo, tentou convencer o Freitas, jogador do Belenenses e posteriormente campeão pelo FC Porto, que este sabia nadar. Passadas umas horas afirmando convictamente que sabia, no fundo, no fundo, que o bom do Freitas sabia nadar e obtendo sempre um rotundo não do central, resolve atirá-lo a uma piscina. Resultado: o Freitas não morreu por afogamento por uma questão de segundos e ganhou tal medo da água que nunca mais se aproximou duma piscina ou mar sequer para molhar os pés.

Além de impor uma abstinência sexual total durante a semana antes do jogo – o que provocou uma manifestação histórica no estádio do Restelo em que as mulheres dos jogadores impunham o seu despedimento – tinha uma enorme imaginação para desenvolver novas “metodologias”. Desde os treinos em que eram colocadas dezenas de galinhas no campo que os jogadores tinham de apanhar até  ao célebre jogo de futebol sem bola.

Este revolucionário conceito consistia basicamente num relato que o treinador ia fazendo e em que os jogadores se tinham de mexer em função da descrição do lance.


Num desses treinos, o Murça passava para o Sambinha, tudo isto, claro está, sem bola e com os jogadores a não perceberem bem o que se estava a passar, o defesa direito fingia que cruzava, o Clésio imaginava que parava no peito, passava para o Cepeda e o peitudo atacante marcava um “ganda golo”. Estava o Meirim a gritar golo a plenos pulmões quando percebe que havia algo que estava errado. Então não era que o Cepeda depois de marcar um golaço daqueles não tinha comemorado nem o Rui Paulino estava desesperado por ter sofrido o golo. Imperdoável. Resultado:  duzentas flexões cada um e sem ser a fingir.

 

É claro que estava na moda, as suas jogadas psicológicas para derrotar os adversários mais poderosos, a sua forma de treinar as equipas e o modo desabrido e aparentemente revolucionário com que falava para a Comunicação Social, haviam feito dele um autêntico mito. Numa ocasião, era ele treinador da CUF, encontrava-se hospitalizado. O jogo contra o Benfica estava próximo, pelo que os jornalistas foram procurar saber, não só do seu estado clínico, como a data da sua saída do hospital. Sei que saiu do internamento na véspera do jogo, só não posso precisar quanto tempo antes. Porém, logo ali, em pleno hospital, encarregou-se de avisar que a CUF ia ganhar ao Benfica (uma heresia, naquele tempo). O certo é que Joaquim Meirim saiu a tempo de comandar as operações e ganhou ao Benfica. Foi o início do mito. Depois, foi-se tornando ainda mais famoso, ora por fazer os jogadores correrem atrás de galinhas em pleno pinhal – para lhes dar preparação física -, ora pela “bocas” para os jornais – o “seu” jogador Pena, já no Varzim, era “o melhor defesa português” -, enfim, era um manancial que, nos tempos de hoje, daria assunto, só por si, para os três jornais desportivos.

 

Já no Boavista F.C. obrigou um jogador a reformular o seu totobola após este ter metido uma derrota do seu clube numa deslocação a Coimbra dizendo que não admitia que um jogador seu entrasse em campo com a ideia que iria sair derrotado, isto se pensarmos nos dias de hoje parece uma banalidade mas se atendermos ao facto de isto ter ocorrido nos anos 70 leva-nos a pensar que talvez a chamada psicologia da farmácia de Meirim afinal estava avançada para a altura como o próprio disse um dia "os meus métodos estão demasiado avançados para a época"

 

Joaquim Meirim um caso de estudo certamente...  

Joaquim Meirim